O passado pertence ao tempo presente.
O passado pertence ao tempo presente.
Quando se quer viajar ao passado, é necessário fazer uso de um dos relógios mais complexos que existem: o relógio interno que nos faz ter a perceção do tempo.
É esse relógio que nos permite fazer uma espécie de viagem, recuando ao passado (memória) ou viajando até ao futuro (imaginação).
Viajar no tempo sem sair do lugar.
A memória é do passado, a consciência é do presente e a imaginação é acerca do futuro, no entanto, para compreender o conceito de tempo, é preciso parar o tempo, capturá-lo num breve instante a que chamamos: agora.
Quando tentamos perceber o «agora», ele já não existe, tornou-se passado, e quando se tenta vislumbrar o futuro, não é amanhã, é agora, e afinal, todo o tempo é do presente, porque o tempo não sabe o que é o tempo, ele permanece imóvel, como um oceano no qual navegamos.
Todo este fantástico processo não é inerte nem desprovido de conteúdo. Envolve emoções. E mesmo quando evocamos acontecimentos de há muito tempo , as emoções que julgávamos perdidas estão lá, agora, à espreita de uma oportunidade para se serem vividas.
É por isso que costumo dizer que as emoções pertencem sempre ao momento presente, e que mesmo que pareçam esquecidas, estão lá, à espreita, aguardando o momento certo para se manifestarem.
© Rolando Andrade, 2026
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