Sentimentalismos
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July 30, 2026
Há palavras que não se traduzem. Saudade é uma delas.
Há palavras que não se traduzem. Saudade é uma delas.
Ao longo dos anos, tenho aprendido que a saudade também entra no consultório. Nem sempre se apresenta com esse nome. Às vezes chama-se ansiedade. Outras vezes tristeza, culpa ou dificuldade em seguir em frente.
Mas, quando escutamos com tempo, percebemos que muitas dessas angústias guardam uma ausência que ainda não encontrou um lugar dentro de quem a vive.
Muitos poetas tentaram definir o que é a saudade. Falaram de uma dor serena, uma bela ausência deixada por alguém ou por algo que um dia existiu.
Poucas línguas condensam esta experiência numa única palavra. O português deu-lhe um nome: saudade. Algo como o desejo de regressar a uma casa que já foi habitada.
Como gosto de escrever, volto vezes sem conta à saudade. É um dos temas sobre os quais mais escrevo. Hoje atrevi-me novamente:
"A saudade é como duas mãos que se afastam, ansiando pelo reencontro. É um sonho que persiste, uma ferida que teima não cicatrizar, um cheiro a despedida, um grito silencioso, um lamento mudo, uma lágrima suspensa, um olhar perdido no vazio, enquanto o passado paira, como uma nuvem, sobre o futuro."
© Rolando Andrade, 2026
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